sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Parecia um muro. Uma parede de isopor para proteger seus olhinhos de cristal. Gostava de comentar sobre assuntos diversos, como música, literatura, coca cola, música, amor, sexo, música, futebol, política e música, entre outros. Também sabia que as coisas não deviam estar como estão, mas não sabia como procurar alguma outra coisa. Saiu do fundo do poço para cantar e hoje consegue sorrir e perceber que a vida não chora por si, mesmo que seja uma merda.

Pedra Polida

Em janeiro, fizemos dois shows legais que serviram para trazer a banda de volta ao Chez Moi, além de mostrar nossas músicas novas. Tivemos agora um período muito legal de reflexão e ajustes que poderão ser vistos na gravação. Isso me deixa feliz como em todas as vezes em que deixo a música tomar conta da situação.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

O
meu
dedo
sangrou
em cima
do teu
segredo
roubou
a rima
e o teu
brinquedo
deixou
à beira
da cama

Roeu
a sobra
do teu
vestido

roçou
a barba
no teu
ouvido

notou
teu rosto
desprotegido

no meio
das chamas

domingo, 9 de dezembro de 2007

Antes fosse qualquer som, ou sonho de valsa, um medinho de três minutos, desses que sentimos todos os dias. Um mundo a mil por hora exalando felicidade por todos os poros. Antes fosse apenas uma linda moça e não vivesse pisando em nuvens ou deixando saudades em encontros apressados.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Em cada espaço vazio eram colocadas flores falsas, formulários de repartições públicas e amores made in Paraguai. O Whisky, porém, era escocês e tinha 12 anos, o que garantia uma ressaca legítima. Na hora da verdade, porém, não cabia mais nada.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Olhou para o espelho e viu que o coração era de vidro. E as emoções são como mãos desatentas carregando taças de vinho. Somente ela poderia constatar. Passou a mão no rosto, estava pingando de suor. Eram nove horas da noite, nem muito cedo, nem muito tarde. Da janela de seu quarto, podia apreciar o trânsito, mas não identificava o rumo dos carros. Nas prateleiras, livros eram ignorados como postes que servem de banheiros para cães, sejam eles vira-latas donos da rua ou poodles de socialites. Mas nada disso lhe chamava a atenção. Sabia que pouco poderia vislumbrar enquanto estivesse olhando apenas para o espelho.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Um
passado vadio
passeia
no meio
da memória
Um leve
desvio
no chão
da história bem contada
e pronto:
não me lembro
de mais nada